

Fábulas: A fábula é uma história narrativa que surgiu no Oriente, mas foi particularmente desenvolvido por um escravo chamado Esopo, que viveu no 6º século a.C., na Grécia antiga. Esopo inventava histórias em que os animais eram os personagens. Por meio dos diálogos entre os bichos e das situações que os envolviam, ele procurava transmitir sabedoria de caráter moral ao homem. Assim, os animais, nas fábulas, tornam-se exemplos para o ser humano. Cada bicho simboliza algum aspecto ou qualidade do homem, como por exemplo, o leão representa a força; a raposa, a astúcia; a formiga, o trabalho, etc. É uma narrativa inverossímil, com fundo didático. Quando os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe o nome de apólogo. A temática é variada e contempla tópicos como a vitória da fraqueza e a força da bondade sobre a astúcia e a derrota de preguiçosos. A fábula já era cultivada entre assírios e babilônios, no entanto foi o grego Esopo quem consagrou o gênero. La Fontaine foi outro grande fabulista, imprimindo à fábula grande refinamento. George Orwell, com sua Revolução dos Bichos (Animal Farm), compôs uma fábula (embora em um sentido mais amplo e de sátira política). As fábulas são narrativas curtas, na qual os personagens são animais e nelas sempre o final mostra uma lição de moral.
FÁBULA 1
A LEBRE E A TARTARUGA


Um dia uma tartaruga começou a contar vantagem dizendo que corria muito depressa, que a lebre era muito mole, e enquanto falava a tartaruga ria da lebre. Mas a lebre ficou mesmo impressionada foi quando a tartaruga resolveu apostar uma corrida com ela. “Deve ser só de brincadeira”, pensou a lebre.
A raposa era o juiz e recebia as apostas. A corrida começou, e na mesma hora, claro, a lebre passou a frente da tartaruga. O dia estava quente, por isso lá pelo meio do caminho a lebre teve a idéia de brincar um pouco. Depois de brincar, resolveu tirar uma soneca à sombra fresquinha de uma árvore.
“Se por acaso a tartaruga me passar, é só correr um pouco e fico na frente de novo”, pensou.
A lebre achava que não ia perder aquela corrida de jeito nenhum. Enquanto isso, lá vinha a tartaruga com seu jeitão, arrastando os pés, sempre na mesma velocidade, sem descansar nem uma vez, só pensando na chegada. Ora, a lebre dormiu tanto que esqueceu de prestar atenção na tartaruga.
Quando ela acordou, cadê a tartaruga ? Assim que a lebre se levantou e saiu correndo, mas nada mais adiantava ! De longe ela viu a tartaruga esperando por ela na linha de chegada.
Moral: “Devagar e sempre se chega na frente”
Leia mais : https://www.asaprodutovirtual.com.br/fabula/
FÁBULA 2
O SAPO E O BOI

Há muito, muito tempo existiu um boi imponente. Um dia o boi estava dando seu passeio da tarde quando um pobre sapo todo mal vestido olhou para ele e ficou maravilhado.
Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.
__ Olhem só o tamanho do sujeito ! Até que ele é elegante, mas grande coisa: se eu quisesse também era.
Dizendo isso o sapo começou a estufar a barriga e em pouco tempo já estava com o dobro do seu tamanho normal.
__ Já estou grande que nem ele ? __ perguntou aos outros sapos.
__ Já estou grande que nem ele ? __ perguntou aos outros sapos.
__ Não, ainda está longe ! __ responderam os amigos.
O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.
__ Não __ disseram de novos os outros sapos __, e é melhor você parar com isso porque senão vai acabar se machucando.
Mas era tanta a vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando, estufando __ até estourar
Moral: Seja sempre você mesmo.
FÁBULA 3
O LOBO E A CEGONHA


Um lobo devorou sua caça tão depressa, com tanto apetite, que acabou ficando com um osso entalado na garganta.
Cheio de dor, o lobo começou a correr de um lado para o outro soltando uivos, e ofereceu uma bela recompensa para que tirasse o osso de sua garganta.
Com pena do lobo e com vontade de ganhar o dinheiro, uma cegonha resolveu enfrentar o perigo.
Depois de tirar o osso, quis saber onde estava a recompensa que o lobo tinha prometido.
__ Recompensa ? __ berrou o lobo. __ Mas que cegonha pedinchona ! Que recompensa, que nada ! Você enfiou a cabeça na minha boca e em vez de arrancar sua cabeça com uma dentada deixei que você a tirasse lá de dentro sem um arranhãozinho. Você não acha que tem muita sorte, seu bicho insolente ? Dê o fora e se cuide para nunca mais chegar perto de minhas garras !
Moral: Não espere gratidão ao mostrar caridade para com um inimigo.
FÁBULA 4
A REUNIÃO GERAL DOS RATOS
Uma vez os ratos, que viviam com medo de um gato, resolveram fazer uma reunião para encontrar um jeito de acabar com aquele eterno transtorno.
Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim um rato jovem levantou-se e deu a idéia de pendurar uma sineta no pescoço do gato; assim, sempre que o gato chegasse perto eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo.
Todo mundo bateu palmas: o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de seu canto.
O rato falou que o plano era muito inteligente, que com toda a certeza as preocupações deles tinham chegado ao fim. Só faltava uma coisa: quem ia pendurar a sineta no pescoço do gato ?
Moral: Inventar é uma coisa, fazer é outra.
FÁBULA 5
O LEÃO APAIXONADO

Certa vez um leão se apaixonou pela filha de um lenhador e foi pedir a mão dela em casamento. O lenhador não ficou muito animado com a idéia de ver a filha com um marido perigoso daqueles e disse ao leão que era muita honra, mas muito obrigado, não queria. O leão se irritou; sentindo o perigo, o homem foi esperto e fingiu que concordava:
__ É uma honra, meu senhor. Mas que dentões o senhor tem ! Que garras compridas ! Qualquer moça ia ficar com medo. Se o senhor quer casar com minha filha, vai ter que arrancar os dentes e cortar as garras.
O leão apaixonado foi correndo fazer o que o outro tinha mandado; depois voltou à casa do pai da moça e repetiu seu pedido de casamento. Mas o lenhador, que já não sentia medo daquele leão manso e desarmado, pegou um pau e tocou o leão para fora de sua casa.
Moral: Quem perde a cabeça por amor sempre acaba mal.
FÁBULA 6
A QUEIXA DO PAVÃO

Chateado porque tinha uma voz muito feia, um pavão foi se queixar com a deusa Juno.
__ É verdade que você não sabe cantar __ disse a deusa.
__ Mas você é tão lindo, para que se preocupar com isso ?
Só que o pavão não queria saber de consolo.
__ De que adianta beleza com uma voz destas ?
Ouvindo aquilo, Juno se irritou.
__ Cada um nasce com uma coisa boa. Você tem a beleza, a águia tem força, o rouxinol canta. Você é o único que não está satisfeito. Pare de se queixar. Se recebesse o que está querendo, com certeza ia achar outro motivo para reclamar.
Moral: Em vez de invejar os talentos dos outros, aproveite o seu ao máximo.
FÁBULA 7
O GALO E A RAPOSA

No meio dos galhos de uma árvore bem alta um galo estava empoleirado e cantava a todo o volume. Sua voz esganiçada ecoava na floresta. Ouvindo aquele som tão conhecido, uma raposa que estava caçando se aproximou da árvore. Ao ver o galo lá no alto, a raposa começou a imaginar algum jeito de fazer o outro descer. Com a voz mais boazinha do mundo, cumprimentou o galo dizendo :
__ Ó meu querido primo, por acaso você ficou sabendo da proclamação de paz e harmonia universal entre todos os tipos de bichos da terra, da água e do ar ? Acabou essa história de ficar tentando agarrar os outros para comê-los. Agora vai ser tudo na base do amor e da amizade. Desça para a gente conversar com calma sobre as grandes novidades !
O galo, que sabia que não dava para acreditar em nada do que a raposa dizia, fingiu que estava vendo uma coisa lá longe. Curiosa, a raposa quis saber o que ele estava olhando com ar tão preocupado.
__ Bem __ disse o galo, __ acho que estou vendo uma matilha de cães ali adiante.
__ Nesse caso é melhor eu ir embora __ disse a raposa.
__ O que é isso, prima ? __ disse o galo. __ Por favor, não vá ainda! Já estou descendo ! Não vá me dizer que está com medo dos cachorros nesses tempos de paz ?!
__ Não, não é medo __ disse a raposa, __ mas... e se eles ainda não estiverem sabendo da proclamação :
Moral: Cuidado com as amizades muito repentinas.
FÁBULA 8
O RATINHO, O GATO E O GALO

Certa manhã, um ratinho saiu do buraco pela primeira vez. Queria conhecer o mundo e travar relações com tanta coisa bonita de que falavam seus amigos. Admirou a luz do sol, o verdor das árvores, a correnteza dos ribeirões, a habitação dos homens. E acabou penetrando no quintal duma casa da roça.
__ Sim senhor ! É interessante isto !
Examinou tudo minuciosamente, farejou a tulha de milho e a estrebaria. Em seguida, notou no terreiro um certo animal de belo pelo, que dormia sossegado ao sol. Aproximou-se dele e farejou-o, sem receio nenhum. Nisto, aparece um galo, que bate as asas e canta. O ratinho, por um triz, não morreu de susto.
Arrepiou-se todo e disparou como um raio para a toca. Lá contou à mamãe as aventuras do passeio.
__ Observei muita coisa interessante __ disse ele. __ Mas nada me impressionou tanto como dois animais que vi no terreiro. Um de pelo macio e ar bondoso seduziu-me logo. Devia ser um desses bons amigos da nossa gente, e lamentei que estivesse a dormir, impedindo-me de cumprimentá-lo. O outro... Ai, que ainda me bate o coração ! O outro era um bicho feroz, de penas amarelas, bico pontudo, crista vermelha e aspecto ameaçador. Bateu as asas barulhentamente, abriu o bico e soltou um co-ri-có-có tamanho que quase caí de costas. Fugi. Fugi com quantas pernas tinha, percebendo que devia ser o famoso gato, que tamanha destruição faz no nosso povo.
A mamãe rata assustou-se e disse :
__ Como te enganas, meu filho ! O bicho de pelo macio e ar bondoso é que é o terrível gato. O outro, barulhento e espaventado, de olhar feroz e crista rubra, filhinho, é o galo, uma ave que nunca nos fez mal. As aparências enganam.
Moral: Quem vê cara não vê coração.
FÁBULA 9
O CORVO E O JARRO

Um corvo, quase morto de sede, foi a um jarro, onde pensou encontrar água. Quando meteu o bico pela borda do jarro, verificou que só havia um restinho no fundo. Era difícil alcançá-la com o bico, pois o jarro era muito alto.
Depois de várias tentativas, precisou desistir, desesperado.
Surgiu, então, uma idéia em seu cérebro. Apanhou um seixo e jogou-o no fundo do jarro. Jogou mais um e muitos outros.
Com alegria verificou que a água vinha, aos poucos, se aproximando da borda. Jogou mais alguns seixos e conseguiu matar a sede, salvando a vida.
Moral: Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
FÁBULA 10
O VENTO E O SOL

O vento e o sol estavam disputando qual dos dois era o mais forte. De repente, viram um viajante que vinha caminhando.
__ Sei como decidir nosso caso. Aquele que conseguir fazer o viajante tirar o casaco será o mais forte. Você começa __ propôs o sol, retirando-se para trás de uma nuvem.
O vento começou a soprar com toda força. Quanto mais soprava, mais o homem ajustava o casado ao corpo. Desconsolado, o vento se retirou.
O sol saiu de seu esconderijo e brilhou com todo seu esplendor sobre o homem, que logo sentiu calor e despiu o paletó.
Moral: O amor constrói, a violência arruína.
FÁBULA 11
O CÃO E O OSSO

Um dia, um cão ia atravesando uma ponte, carregando um osso na boca.
Olhando para baixo, viu sua própria imagem refletida na água.
Pensando ver outro cão, cobiçou-lhe logo o osso e pôs-se a latir.
Mal, porém, abriu a boca, seu próprio osso caiu na água e se perdeu para sempre.
Moral: Mais vale um pássaro na mão que dois voando.
FÁBULA 12
O LEÃO E O JAVALI

Num dia muito quente, um leão e um javali chegaram juntos a um poço. Estavam com muita sede e começaram a discutir para ver quem beberia primeiro. Nenhum cedia a vez ao outro.
Já iam atracar-se para brigar, quando o leão olhou para cima e viu vários urubus voando.
__ Olhe lá ! __ disse o leão. __ Aqueles urubus estão com fome e esperam para ver qual de nós dois será derrotado.
__ Então, é melhor fazermos as pazes __ respondeu o javali.
__ Prefiro ser seu amigo a ser comida de urubus.
Moral: Diante de um perigo maior, é melhor esquecer as pequenas rivalidades.
FÁBULA 13
O LEÃO E O RATINHO

Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.
Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu embaixo da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.
Moral: Uma boa ação ganha outra
FÁBULA 14
A FORMIGA E A POMBA
Uma formiga sedenta chegou à margem do rio, para beber água. Para alcançar a água, precisou descer por uma folha de grama. Ao fazer isso, escorregou e caiu dentro da correnteza.
Em pouso em uma árvore próxima, uma pomba viu a formiga em perigo. Rapidamente, arrancou uma folha de árvore e jogou dentro do rio, perto da formiga, que pôde subir nela e flutuar até a margem.
Logo que alcançou a terra, a formiga viu um caçador de pássaros, que se escondia atrás de uma árvore, com uma rede nas mãos. Vendo que a pomba corria perigo, correu até o caçador e mordeu-lhe o calcanhar. A dor fez o caçador largar a rede e a pomba fugiu para um ramo mais alto.
De lá, ela arrulhou para a formiga:
__ Obrigada, querida amiga.
Moral: Uma boa ação se paga com outra.
FÁBULA 15
O URSO E AS ABELHAS

Um urso topou com uma árvore caída que servia de depósito de mel para um enxame de abelhas. Começou a farejar o tronco quando uma das abelhas do enxame voltou do campo de trevos. Adivinhando o que ele queria, deu uma picada daquelas no urso e depois desapareceu no buraco do tronco.
O urso ficou louco de raiva e se pôs a arranhar o tronco com as garras na e esperança de destruir o ninho.
A única coisa que conseguiu foi fazer o enxame inteiro sair atrás dele. O urso fugiu a toda a velocidade e só se salvou porque mergulhou de cabeça num lago.
Moral: Mais vale suportar um só ferimento em silêncio que perder o controle e acabar todo machucado.
FÁBULA 16
O GALO E A SAFIRA
![]()

Um galo jovem estava ciscando, para lá e para cá, procurando o que comer no terreiro, quando encontrou uma safira. Ele então pensou:
__ Se fosse um joalheiro que te encontrasse, ia ficar feliz. Mas para mim, uma simples safira de nada me serve. Seria melhor encontrar algo de comer.
Deixou a safira onde estava e se foi, para procurar alguma coisa que lhe servisse de alimento.
Moral: Às vezes o que é precioso para um não tem valor para o outro.
FÁBULA 17
A GRALHA VAIDOSA

Júpiter deu a notícia de que pretendia escolher um rei para os pássaros e marcou uma data para que todos eles comparecessem diante de seu trono. O mais bonito seria declarado rei.
Querendo arrumar-se o melhor possível, os pássaros foram tomar banho e alisar as penas às margens de um arroio. A gralha nunca ia ser a escolhida, porque suas penas eram muito feias.
“Vamos ter que dar um jeito”, pensou ela.
Depois que os outros pássaros foram embora, muitas penas ficaram caídas pelo chão; a gralha recolheu as mais bonitas e prendeu em volta do corpo.
O resultado foi deslumbrante: nenhum pássaro era mais vistoso que ela.
Quando o dia marcado chegou, os pássaros se reuniram diante do trono de Júpiter; Júpiter examinou todo mundo e escolheu a gralha para rei.
Já ia fazer a declaração oficial quando todos os outros pássaros avançaram para o futuro rei e arrancaram suas penas falsas uma a uma, mostrando a gralha exatamente como ela era.
Moral: Belas penas não fazem belos pássaros.
FÁBULA 18
O CÃO E O GATO
![]()
Num zoológico, muitos bichos falavam da grande inimizada entre alguns animais.
Mas, o mais mal falado era mesmo o cão e o gato.
__ Por que será que eles são tão inimigos ? dizia a girafa Marizilda, toda empinadinha, ao seu vizinho elefante, o grande Godofredo.
__ Boa mesmo a sua dúvida !, disse o Godofredo.
__ Vejamos: Ouço dizer que o cão gosta de osso, o gato de peixe. O cão gosta do dono, o gato da casa... O cão fala au au au, o gato fala miau, miau. O cão não toma leite, o gato adora leite.
E seguia o blá, blá, blá no Zoo inteiro, pois um animal ia contando para o outro, e comentando o mesmo assunto para chegarem a uma conclusão sobre o tema, que tomou conta do Zoológico.
O macaco Chiquinho naturalmente, comendo sua banana, dizia ao Bicho Preguiça “JOU” :
__ Eu gosto de ambos, pois o gato passa suavemente entre as pernas dos humanos e o cão pula mais que o gato quando quer atingir um osso segurado por alguém, deixando a alegria pegar geral, lembrando muito meus passos, digo, meus pulos nos galhos; concluiu Chiquinho.
É verdade homens e mulheres, se dividem entre um e outro, dizia a Preguiça “Jou” ao macaco “Chiquinho”. Talvez esteja na altura que ambos pulam, a diferença !
Continuava o comentário no Zoológico....sobre o cão e o gato.
Logo mais a frente, o rei leão, conversa com o a sua amiga tigresa do “diz que diz” sobre o cão e gato e chegam a conclusão de que ambos devem ser bem saborosos, que de fato não haveria muita diferença entre ambos.
Enquanto isso o urso polar “Tinico”, dizia ao colega panda “Ora”, que ambos estariam em condições de viver bem no Polo Norte, cão e gato, que talvez pudessem ser bons amigos, que nunca dariam muito trabalho se fossem viver juntos, pois os dois teriam uma boa vestimenta, com coloridos variados que cai muito bem em região fria. Que talvez o frio aquecesse os corações de ambos para poderem conviver harmoniosamente, como os ursos, com fortes e carinhosos abraços.
Enquanto o” ti, ti, ti” continuava sobre a vida do cão e do gato, o tratador de animais entrou acompanhado do seu cachorrinho de estimação, e como ele não poderia sequer imaginar, todos os olhares do zoológico se direcionaram a ele, a ele, o cão “Bolinha”.
Como o tratador de nada sabia, nem imaginava, o assunto geral que tomava conta do zoológico, acompanhado de seu cachorrinho de estimação, seguiu dando alimento a todos.
Mas, de fato, estranhou muito que ao arremessar os alimentos aos bichos do zoo eles não se preocuparam muito em buscar seus alimentos, imaginando até algum perigo, comum a todos os bichos que tratava, mas, notando, com clareza os olhares voltados a ele, e não ao cão.
Pensou com seus botões o Tratador :
__ Será que fiz algo errado com meus amiguinhos de trabalho ?
E balbuciou, “Vamos, vamos, vamos comer”
Não poderia o tratador imaginar que ao estar acompanhado do seu fiel amigo, Bolinha, que ele seria a pauta da conversa dos bichos no zoológico.
Chegando bem próximo a jaula dos tigres, que muito cá entre nós, parecem bastante com gatos imensos, muito zangados, isso é certo, o tratador arremessou uma boa quantidade de bofe, carne de grande sabor para os tigres que nem se mexeram.
Quando viu o Tratador seguir o seu percurso na entrega de alimentos aos moradores do zoológico, o tigre “Teobaldo” fica mais a vontade para comer, sem desejar tanto aquele apetitos o “Bolinha” que viu passar em sua frente. E após ter sua barriga farta, foi logo falando o que pensava entre o cão e o gato para sua amiga Onça:
__ Não tenho dúvida que o gato deve ser o mais amado para os humanos, pois eles são muito parecidos com a gente e fazem um som muito agradável aos ouvidos, sem aturdir nossos ouvidos com escandalosos AU,AU, AUS.... e talvez seja uma das grandes diferenças na inimizade de ambos, disse o Onça Babi.
Respondeu o tigre Teobaldo a Onça Babi, também após o farto alimento deixado pelo tratador, ter sido consumido :
__ Sim, onça Babi, também concordo que o barulho ensurdecedor praticado por cães é insuportável. E os gatos, lindos felinos, mansinhos, delicadinhos, mas nunca podemos sonhar em comê-los, pois eles vão rapidinho para o alto de uma árvore, concorda ?
O jacaré Clodomiro que nadava tranquilamente, somente ouvindo o diz que diz, resolveu se manifestar, e quem se aproximou mais dele foi a amiga cobra “Coloral”, a quem dirigiu a palavra:
__ E aí amiga “Coloral” !, você concorda com a inimizade entre cão e gato ?
__ Não, eu não concordo, a traição e a discórdia, não é inerente aos animais, apenas aos Homens !
Moral: A amizade verdadeira não se vê, sente-se.
FÁBULA 19
A GANSA DOS OVOS DE OURO

Um homem e sua mulher tinham a sorte de possuir uma gansa que todos os dias punha um ovo de ouro.
Mesmo com toda essa sorte, eles acharam que estavam enriquecendo muito devagar, que assim não dava...
Imaginando que a gansa devia ser de ouro por dentro, resolveram matá-la e pegar aquela fortuna toda de uma vez. Só que, quando abriram a barriga da gansa, viram que por dentro ela era igualzinha a todas as outras.
Foi assim que os dois não ficaram ricos de uma vez só, como tinham imaginado, nem puderam continuar recebendo o ovo de ouro que todos os dias aumentava um pouquinho sua fortuna.
Moral: Não tente forçar demais a sorte.
FÁBULA 20
AS ÁRVORES E O MACHADO

Um lenhador foi até a floresta pedir às árvores que lhe dessem um cabo para seu machado.
As árvores acharam que não custava nada atender ao pedido do lenhador e na mesma hora resolveram fazer o que ele queria.
Ficou decidido que o freixo, que era uma árvore comum e modesta, daria o que era necessário.
Mas, assim que recebeu o que tinha pedido, o lenhador começou a atacar com seu machado tudo o que encontrava pela frente na floresta, derrubando as mais belas árvores.
O carvalho, que só se deu conta da tragédia quando já era tarde demais para fazer alguma coisa, cochichou para o cedro:
__ Foi um erro atender ao primeiro pedido que ele fez. Por que fomos sacrificar nosso humilde vizinho ? Se não tivéssemos feito isso, quem sabe ainda viveríamos muitos e muitos anos !
Moral: Que trai os amigos pode estar cavando a própria cova.
FÁBULA 21
OS VIAJANTES E O URSO

Um dia dois viajantes deram de cara com um urso. O primeiro se salvou escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, se jogou no chão e fingiu-se de morto.
O urso se aproximou dele e começou a cheirar as orelhas do homem, mas, convencido de que estava morto, foi embora. O amigo começou a descer da árvore e perguntou :
__ O que o urso estava cochichando em seu ouvido ?
__ Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí viajando com gente que abandona os amigos na hora do perigo.
Moral : A desgraça põe à prova a sinceridade da amizade.
FÁBULA 22
A RAPOSA E O LEÃO

Uma raposa muito jovem, que nunca tinha visto um leão, estava andando pela floresta e deu de cara com um deles.
Ela não precisou olhar muito para sair correndo desesperada na direção do primeiro esconderijo que encontrou.
Quando viu o leão pela segunda vez, a raposa ficou atrás de uma árvore a fim de poder olhar para ele antes de fugir.
Mas, na terceira vez a raposa foi direto até o leão e começou a dar tapinhas nas costas dele, dizendo:
__ Oi, gatão ! Tudo bem aí ?
Moral: Da familiaridade nasce o abuso.
FÁBULA 23
A CIGARRA E A FORMIGA

Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o maior trabalho para secar suas reservas de trigo. Depois de uma chuvarada, os grãos tinham ficado completamente molhados. De repente aparece uma cigarra:
__ Por favor, formiguinhas, me dêem um pouco de trigo ! Estou com uma fome danada, acho que vou morrer.
As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra os princípios delas, e perguntaram:
__ Mas por quê ? O que você fez durante o verão ? Por acaso não se lembrou de guardar comida para o inverno ?
__ Para falar a verdade, não tive tempo __ respondeu a cigarra __ Passei o verão cantando !
__ Bom... Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando ? __ disseram as formigas, e voltaram para o trabalho dando risada.
Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem.
FÁBULA 24
OS LADRÕES E O GALO

Uma vez uns ladrões entraram numa casa, mas não encontraram nada que valesse a pena roubar, a não ser um galo.
O coitado do galo disse a eles tudo o que um galo é capaz de dizer para tentar salvar a pele. Disse que eles não esquecessem como ele era importante para as pessoas com seu canto que acordava a todos na hora de ir trabalhar.
__ Olhe, seu galo __ disse um dos ladrões __, é melhor parar com essa conversa. Você passa o tempo acordando as pessoas e o resultado é que não conseguimos roubar sossegados.
Moral: Nem o que temos de melhor agrada a todo mundo.
FÁBULA 25
VÊNUS E A GATA


Uma gata se apaixonou por um rapaz e pediu por favor a Vênus que fizesse com que ela virasse moça, pois achava que assim podia conquistar o rapaz.
A paixão era tanta que a deusa ficou com pena e transformou a gata numa linda garota.
O rapaz se apaixonou por ela no mesmo instante e pouco depois os dois se casaram.
Um dia Vênus resolveu verificar se a gata tinha mudado por dentro assim como tinha mudado por fora e mandou um rato passear pelo quarto onde estava o casal.
A garota, completamente esquecida de quem era, correu atrás do rato para agarrar o bicho. Parecia que estava querendo comer o rato na mesma hora.
A deusa, vendo aquilo, ficou tão chateada que imediatamente transformou a moça de novo em gata.
Moral: A aparência pode ser mudada, mas a natureza não.
FÁBULA 26
O PESCADOR FLAUTISTA

Um pescador que gostava mais de música que das redes começou a tocar flauta quando viu peixes no mar.
Achava que ouvindo aquilo os peixes iam pular para a praia.
Vendo que eles continuavam dentro da água, o pescador pegou uma rede e apanhou um belo cardume, que arrastou para a terra.
Quando viu os peixes pulando e batendo a cauda na areia ele sorriu e disse:
__ Como vocês não quiseram dançar ao som da minha flauta, também não vou permitir que dancem agora !
Moral: Fazer a coisa certa na hora certa é uma grande arte.
FÁBULA 27
A ROSA E A BORBOLETA

Uma vez uma borboleta se apaixonou por uma linda rosa. A rosa ficou comovida, pois o pó das asas da borboleta formava um maravilhoso desenho em ouro e prata.
Assim, quando a borboleta se aproximou voando da rosa e disse que a amava, a rosa ficou coradinha e aceitou o namoro.
Depois de um longo noivado e muitas promessas de fidelidade, a borboleta deixou sua amada rosa.
Mas ó desgraça ! A borboleta só voltou muito tempo depois.
__ É isso que você chama fidelidade ? __ choramingou a rosa.
__ Faz séculos que você partiu, e além disso você passa o tempo de namoro com todos os tipos de flores. Vi quando você beijou dona Gerânio, vi quando você deu voltinhas na dona Margarida até que dona Abelha chegou e expulsou você... Pena que ela não lhe deu uma boa ferroada !
__ Fidelidade !? __ riu a borboleta. __ Assim que me afastei, vi o senhor Vento beijando você. Depois você deu o maior escândalo com o senhor Zangão e ficou dando trela para todo besourinho que passava por aqui. E ainda vem me falar em fidelidade !
Moral: Não espere fidelidade dos outros se não for fiel também.
FÁBULA 28
O CACHORRO E SUA SOMBRA

Um cachorro com um pedaço de carne roubada na boca estava atravessando um rio a caminho de casa quando viu sua sombra refletida na água. Pensando que estava vendo outro cachorro com outro pedaço de carne, ele abocanhou o reflexo para se apropriar da outra carne, ele abocanhou o reflexo para se apropriar da outra carne, mas quando abriu a boca deixou cair no rio o pedaço que já era dele.
Moral: A cobiça não leva a nada
FÁBULA 29
A RAPOSA E A MÁSCARA

Um dia uma raposa entrou na casa de um ator e encontrou uma linda máscara no meio de uma pilha de objetos usados no teatro. Encostando a pata na máscara, disse: __ Que belo rosto temos aqui ! Pena que não tenha cérebro.
Moral: Uma bela aparência não substitui o valor do espírito.
FÁBULA 30
O LOBO E O CÃO

Um lobo e um cão se encontraram num caminho. Disse o lobo:
__ Companheiro, você está com ótimo aspecto: gordo, o pelo lustroso... Estou até com inveja !
__ Ora, faça como eu __ respondeu o cão. __ Arranje um bom amo. Eu tenho comida na hora certa, sou bem tratado... Minha única obrigação é latir à noite, quando aparecem ladrões. Venha comigo e você terá o mesmo tratamento.
O lobo achou ótima idéia e se puseram a caminho.
Mas, de repente, o lobo reparou numa coisa.
__ O que é isso no seu pescoço, amigo ? Parece um pouco esfolado... __ observou ele.
__ Bem __ disse o cão __ isso é da coleira. Sabe ? Durante o dia, meu amo me prende com uma coleira, que é para eu não assustar as pessoas que vêm visitá-lo.
O lobo se despediu do amigo ali mesmo:
__ Vamos esquecer __ disse ele. __ Prefiro minha liberdade à sua fartura.
Moral: Antes faminto, mas livre, do que gordo, mas cativo.
FÁBULA 31
O BURRO E SEU CONDUTOR

Um burro que estava sendo conduzido por uma estrada conseguiu se soltar de seu condutor e saiu correndo o mais depressa que pôde, na direção de um precipício. Já ia caindo quando seu condutor chegou correndo e conseguiu segurar seu rabo. Começou a puxar o burro pelo rabo com toda a força, tentando levar o animal para um lugar seguro. O burro, porém, aborrecido com a interferência, fazia força na direção oposta, e o homem acabou sendo obrigado a largá-lo.
__ Bom, Jack __ disse o condutor __, se você quer dar as ordens, não posso impedi-lo.
Moral: Os animais teimosos devem seguir seus caminhos.
FÁBULA 32
O LEÃO E AS OUTRAS FERAS

Certo dia o leão saiu para caçar junto com três outras feras, e os quatro pegaram um veado. Com a permissão dos outros, o leão se encarregou de repartir a presa e dividiu o veado em quatro partes iguais. Porém, quando os outros foram pegar seus pedaços, o leão falou :
__ Calma, meus amigos. Este primeiro pedaço é meu, porque é o meu pedaço. O segundo também é meu, porque sou o rei dos animais. O terceiro vocês vão me dar de presente para homenagear minha coragem e o sujeito maravilhoso que eu sou. E o quarto... Bom, se alguém aí quiser disputar esse pedaço comigo na luta, pode vir que estou pronto. Logo, logo a gente fica sabendo quem é o vencedor !
Moral: Nunca forme uma sociedade sem primeiro saber como será a divisão dos lucros.
FÁBULA 33
O HOMEM E SUAS DUAS MULHERES

Um homem que já estava ficando com os cabelos brancos tinha duas mulheres, uma jovem e outra velha. A velha ficava com vergonha de ser casada com um homem mais moço que ela, e por isso sempre que estava com o marido arrancava todos os cabelos pretos de sua cabeça. A jovem, que só pensava em ocultar o fato de que seu marido era mais velho, tinha o hábito de arrancar todos os cabelos brancos da cabeça dele.
Assim, as duas, reunidas, deixaram o coitado sem um só fio de cabelo na cabeça.
Moral: É inútil querer ser mais esperto que o tempo.
FÁBULA 34
AS LEBRES, AS RAPOSAS E AS ÁGUIAS



Uma vez as lebres se meteram numa guerra longa e feroz com as águias e viram que não iam conseguir vencer suas inimigas se não conseguissem ajuda. Diante disso, foram conversar com as raposas para ver se queriam fazer uma aliança com elas contra as águias. As lebres ficaram felizes quando as raposas respodneram educadamente que gostariam muito de ajudá-las em tudo o que fosse possível. Só que a alegria das lebres durou pouco, pois as raposas continuaram dizendo, com igual sinceridade, que também eram muito amigas das águias.
Moral: Só é possível formar uma sociedade quando os dois parceiros estão unidos em torno de uma mesma causa.
FÁBULA 35
O LEÃO E O MOSQUITO

Um leão ficou com raiva de um mosquito que não parava de zumbir ao redor de sua cabeça, mas o mosquito não deu a mínima.
__ Você está achando que vou ficar com medo de você só porque você pensa que é rei ? __ disse ele altivo, e em seguida voou para o leão e deu uma picada ardida no seu focinho.
Indignado, o leão deu uma patada no mosquito, mas a única coisa que conseguiu foi arranhar-se com as próprias garras. O mosquito continuou picando o leão, que começou a urrar como um louco. No fim, exausto, enfurecido e coberto de feridas provocadas por seus próprios dentes e garras, o leão se rendeu. O mosquito foi embora zumbindo para contar a todo mundo que tinha vencido o leão, mas entrou direto numa teia de aranha. Ali o vencedor do rei dos animais encontrou seu triste fim, comido por uma aranha minúscula.
Moral: Muitas vezes o menor de nossos inimigos é o mais temível.
FÁBULA 36
AS RÃS EM BUSCA DE UM REI

As rãs andavam muito amoladas porque viviam sem lei, por isso pediram a Zeus que arranjasse um rei para elas. Zeus percebeu a ingenuidade das rãs e jogou um toco de árvore no lago. No começo as rãs ficaram apavoradas com o barulho da água quando caiu o toco e mergulharam bem para o fundo. Um pouco depois vendo que o toco não se mexia, subiram para a superfície e escalaram o toco. Aquele rei não prestava, pensaram, e lá se foram pedir outro rei a Zeus. Mas Zeus já tinha perdido a paciência e lhes mandou uma cegonha, que num instante devorou todas as suas súditas.
Moral: Saiba quando se dar por satisfeito.
FÁBULA 37
O RATINHO DA CIDADE E O RATINHO DO CAMPO

Certo dia um ratinho do campo convidou seu amigo que morava na cidade para ir visitá-lo em sua casa no meio da relva. O ratinho da cidade foi, mas ficou muito chateado quando viu o que havia para jantar: grãos de cevada e umas raízes com gosto de terra.
__ Coitado de você, meu amigo ! __ exclamou ele. __ Leva uma vida de formiga ! Venha morar comigo na cidade que nós dois juntos vamos acabar com todo o toucinho deste país !
E lá se foi o ratinho do campo para a cidade. O amigo mostrou para ele uma despensa com queijo, mel, cereais, figos e tâmaras. O ratinho do campo ficou de queixo caído. Resolveram começar o banquete na mesma hora. Mas mal deu para sentir o cheirinho : a porta da despensa se abriu e alguém entrou. Os dois ratos fugiram apavorados e se esconderam no primeiro buraco apertado que encontraram. Quando a situação se acalmou e os amigos iam saindo com todo o cuidado do esconderijo, outra pessoa entrou na despensa e foi preciso sumir de novo. A essas alturas o ratinho do campo já estava caindo pelas tabelas.
__ Até logo __ disse ele __ Já vou indo. Estou vendo que sua vida é um luxo só, mas para mim não serve. É muito perigosa. Vou para minha casa, onde posso comer minha comidinha simples em paz.
Moral : Mais vale uma vida modesta com paz e sossego que todo o luxo do mundo com perigos e preocupações.
FÁBULA 38
A RAPOSA E A CEGONHA

Um dia a raposa convidou a cegonha para jantar. Querendo pregar uma peça na outra, serviu sopa num prato raso. Claro que a raposa tomou toda a sua sopa sem o menor problema, mas a pobre cegonha com seu bico comprido mal pôde tomar uma gota. O resultado foi que a cegonha voltou para casa morrendo de fome. A raposa fingiu que estava preocupada, perguntou se a sopa não estava do gosto da cegonha, mas a cegonha não disse nada. Quando foi embora, agradeceu muito a gentileza da raposa e disse que faria questão de retribuir o jantar no dia seguinte.
Assim que chegou, a raposa se sentou lambendo os beiços de fome, curiosa para ver as delícias que a outra ia servir. O jantar veio para a mesa numa jarra alta, de gargalo estreito, onde a cegonha podia beber sem o menor problema. A raposa, amoladíssima, só teve uma saída: lamber as gotinhas de sopa que escorriam pelo lado de fora da jarra. Ela aprendeu muito bem a lição. Enquanto ia andando para casa, faminta, pensava : “Não posso reclamar da cegonha. Ela me tratou mal, mas fui grosseira com ela primeiro”.
Moral: Trate os outros tal como deseja ser tratado.
FÁBULA 39
O NOVELO E A AGULHA

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! (Apologo - Machado de Assis)
FÁBULA 40
O URSO E A RAPOSA

Um urso passava o tempo contando como gostava dos homens.
__ Não vou lá perturbar nem estraçalhar os homens quando eles morrem __ disse ele.
A raposa respondeu com um sorriso:
__ Eu ia ficar mais convencida de sua bondade se você não costumasse comer os homens vivos !
Moral: Mas vale ter pena dos vivos que respeito com os mortos. (Arthur Rackham)
FÁBULA 41
O GATO E O GALO

Um dia um gato caçou um galo e resolveu transformá-lo em almoço. Só que antes queria achar uma boa desculpa para matar o outro. Primeiro, explicou ao galo que ele era um verdadeiro transtorno para os homens com aquela história de cantar no meio da noite e não deixar as pessoas dormirem.
__ Nada disso __ disse o galo __ Eu canto para ajudar os homens !
E disse que na verdade fazia um favor aos homens porque servia de despertador e avisava a hora de começar o trabalho do dia.
__ Que enorme besteira ! _ disse o gato. _ Você acha que vou desistir do meu almoço só por causa de uma conversa dessas ?
E devorou o galo.
Moral: O disfarce da justiça não impede uma natureza cruel de praticar suas maldades.
FÁBULA 42
O BURRO E O CACHORRINHO

Um homem tinha um burro e um cachorrinho. O cachorro era muito bem cuidado por seu dono, que brincava com ele, deixava que dormisse no seu colo e sempre que saía para um jantar voltava trazendo alguma coisa boa para ele. O burro também era muito bem cuidado por seu dono. Tinha um estábulo confortável, ganhava muito feno e muita aveia, mas em compensação tinha que trabalhar no moinho moendo trigo e carregar cargas pesadas do campo para o paiol. Sempre que pensava na vida boa do cachorrinho, que só se divertia e não era obrigado a fazer nada, o burro se chateava com a trabalheira que ficava por conta dele.
“Quem sabe se eu fizer tudo o que o cachorro faz nosso dono me trata do mesmo jeito ?”, pensou ele.
Pensou e fez. Um belo dia soltou-se do estábulo e entrou na casa do dono saltitando como tinha visto o cachorro fazer. Só que, como era um animal grande e atrapalhado, acabou derrubando a mesa e quebrando a louça toda. Quando tentou pular para o colo do dono, os empregados acharam que ele estava querendo matar o patrão e começaram a bater nele com varas até ele fugir da casa correndo. Mais tarde, todo dolorido em seu estábulo, o burro pensava : “Pronto, me dei mal. Mas bem que eu merecia. Por que não fiquei contente com o que sou em vez de tentar copiar as palhaçadas daquele cachorrinho ?”
Moral : É burrice tentar ser uma coisa que não se é.
FÁBULA 43
O GAROTO DO “OLHA O LOBO”

Um pastorzinho que cuidava de seu rebanho perto de um povoado gostava de se distrair de vez em quando gritando :
__ Olha o lobo ! Socorro ! Olha o lobo !
Deu certo umas duas ou três vezes. Todos os habitantes do povoado vinham correndo ajudar o pastorzinho e só encontravam risadas diante de tanto esforço. Um dia apareceu um lobo em carne e osso. O menino gritou desesperado, mas os vizinhos acharam que era só brincadeira e nem prestaram atenção. O lobo pôde devorar todas as ovelhas sem ser perturbado.
Moral : Os mentirosos podem falar a verdade que ninguém acredita.
FÁBULA 44
O MILHAFRE, O FALCÃO E OS POMBOS

Alguns pombos estavam sendo perseguidos por um milhafre e chamaram um falcão para protegê-los. O falcão começou a trabalhar, mas enquanto gingia cuidar das novas tarefas, traía a confiança de seus patrões : foram tantos os pombos que ele caçou em dois dias, que nem em quatro meses, o milhafre conseguiria alcança-lo.
Moral : Não confie em qualquer um.
FÁBULA 45
O ASTRÔNOMO


Um astrônomo gostava de fazer passeios noturnos para olhar as estrelas. Certa vez ia tão distraído que caiu num poço. Enquanto tentava sair, seus gritos de socorro atraíram a atenção de um homem que passava. Ao ser informado do que havia acontecido, o homem riu e disse :
__ Meu bom amigo, tanto o senhor se esforçou para olhar o céu que não lembrou de olhar o que tem debaixo dos pés !
Moral : É fácil deixar de ver o obvio.
FÁBULA 46
A RAPOSA E AS UVAS

Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra havia sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco : por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo :
__ Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.
Moral : Desprezar o que não se consegue conquistar é fácil.
FÁBULA 47
A VELHA E SUAS CRIADAS



Uma viúva econômica e zelosa tinha duas empregadas. As empregadas da viúva trabalhavam, trabalhavam e trabalhavam. De manhã bem cedo tinham que pular da cama, pois sua velha patroa queria que começassem a trabalhar assim que o galo cantasse. As duas detestavam ter que levantar tão cedo, especialmente no inverno, e achavam que se o galo não acordasse a patroa tão cedo talvez pudessem dormir mais um pouco. Mas não estavam preparadas para as consequências do que fizeram. Porque o resultado foi que a patroa, sem o despertador do galo, passou a acordar as criadas mais cedo ainda e punha as duas para trabalhar no meio da noite.
Moral: Muita esperteza nem sempre da certo.
FÁBULA 48
O LEOPARDO E A RAPOSA

Uma raposa e um leopardo estavam deitados descansando depois de um lauto jantar e se distraíam falando da própria beleza. O leopardo tinha muito orgulho de sua pele lustrosa e toda pintada, e dizia à raposa que ela era completamente sem graça. A raposa se orgulhava da bela cauda estufada com a pontinha branca, mas tinha o bom senso de reconhecer que não chegava aos pés do leopardo em matéria de aparência. Mesmo assim, continuou com suas brincadeiras, fazendo troça do outro só pelo prazer da discussão e para não perder a prática. O leopardo já estava quase perdendo a paciência quando a raposa levantou bocejando e disse :
__ Você pode ter um pelo muito requintado, mas estaria mais bem servido se tivesse um pouquinho mais de requinte dentro da cabeça e menos ao redor das costelas, como eu. Para mim, beleza de verdade é isso.
Moral: Nem sempre bela embalagem anuncia belo recheio.
FÁBULA 49
O MACACO E O GOLFINHO

Quando as pessoas fazem uma viagem, muitas vezes levam seus cachorrinhos ou macaquinhos de estimação para ajudar a passar o tempo. Assim, um homem que voltava do Oriente para Atenas andava pelo navio levando um macaquinho de estimação. Quando estava próximo do litoral da Ática o navio foi atingido por uma grande tempestade e acabou virando. Todas as pessoas que estavam a bordo foram parar na água e começaram a nadar para tentar salvar a vida. O macaco também. Um golfinho viu o macaco e imaginou que fosse um homem; pôs o macaco nas costas e começou a nadar para a praia. Quando os dois iam chegando ao Pireu, que é o porto de Atenas, o golfinho perguntou ao macaco se ele era ateniense. O macaco respondeu que sim, e disse ainda que sua família era muito importante.
__ Bom, nesse caso você conhece o Pireu __ continuou o golfinho.
O macaco achou que o golfinho estava se referindo a alguma autoridade e respondeu:
__ Claro, claro, somos muito amigos.
Ouvindo aquilo, o golfinho viu que estava sendo enganado. Aborrecido, mergulhou para o fundo do mar e em pouco tempo o pobre macaco se afogou.
Moral: Certas pessoas, ignorantes da verdade, acham que podem fazer os outros engolir qualquer mentira.
FÁBULA 50
O HOMEM, SEU FILHO E O BURRO



Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
__ O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa ? __ disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho.
__ O rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar seu pobre pai, um velho, andar a pé enquanto vai montado ! __ disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra.
__ Olhe só que sujeito egoísta ! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado...
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
__ Esse burro é seu ?
O homem disse que sim. O outro continuou :
__ Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.
Moral: Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém.
FÁBULA 51
A RÃ E O TOURO

Um grande touro passeava pela margem de um riacho. A rã ficou com muita inveja de seu tamanho e de sua força.
Então, começou a inchar, fazendo enorme esforço, para tentar ficar tão grande quanto o touro.
Perguntou às companheiras do riacho se estava do tamanho do touro. Elas responderam que não.
A rã tornou a inchar e inchar, mas ainda assim, não alcançou o tamanho do touro.
Pela terceira vez, a rã tentou inchar. Mas fez isso com tanta força que acabou explodindo.
Moral: A Inveja é a origem de todas as desgraças.
FÁBULA 52
A FORMIGA E O GAFANHOTO

Uma formiga bem gorda, com dois olhos grandes e seis pernas, trabalha arduamente durante todo o verão e juntando muito milho para o inverno.
Um gafanhoto grande, verde e feliz que durante o verão cantava lindas canções, porém no inverno passava sempre muito frio.
Voando daqui para ali, o gafanhoto, tentando fugir da neve passa pela janela da formiga que se encontrava confortavelmente sentada, comendo pipoca, em frente de uma lareira.
“Iuuuuu !”... e batendo na porta da formiga, que atendeu a porta, foi logo falando: “que noite horrível”, “há algum lugar para mim em sua casa ?”. “Estou congelando, morrendo de sede e com muita fome !”. “Você pode me ajudar?”
A formiga, acostumada ao pedido todo inverno, disse: __ Oh, não ! De novo ? Não há lugar para você aqui. Vá embora !
O gafanhoto tentando causar alguma forma de piedade pede ajuda, mas a formiga, comendo sua pipoca, com um cheiro irresistível, manda o gafanhoto embora e voltar no próximo verão para trabalhar para ela.
Mas o gafanhoto, pediu a formiga para que ela olhasse para ele, e observar melhor, dizendo que era muito bonito e que cantava bem, e logo foi introduzindo uma boa conversa sobre milho, chá, dizendo estar tão sozinho, até que pediu a formiga em casamento.
A formiga, irredutível, bateu a porta em sua cara e pediu para que o gafanhoto não a amolasse, dizendo: “você só quer meus grãos”
Mas, o gafanhoto, como todo bom macho, insistiu para que a formiga abrisse a porta, implorando por seu amor.
A formiga, ficou encostada na porta, ouvindo o canto do gafanhoto, e terminou por aceitar o pedido, porém, que o casamento fosse realizado perante o padre.
E, assim, aconteceu.
Senhor Besouro: você promete cantar para a linda formiga por todo o verão e inverno, nos dias ensolarados e chuvosos, bonitos ou feios, e ainda amá-la pelo resto de sua vida ?, perguntou o padre.
Senhora Formiga: você promete juntar bastante grão para o inverno e trabalhar arduamente para fazer pipoca, chocolate e bolos deliciosos para seu marido, em dias chuvosos ou ensolarados, e ainda amá-lo pelo resto de sua vida?
E após o “sim”, acho que foram felizes no verão e no inverno.
Moral: Prometer é fácil, difícil é cumprir.
FÁBULA 53
A ÁGUIA E A SETA

Uma águia pousada num penhasco olhava com muita atenção para todos os lados procurando uma presa. Um caçador, escondido numa fenda da montanha e em busca de caça, viu a águia lá em cima e lançou uma seta. A haste da seta penetrou no peito da águia e atravessou seu coração. Pouco antes de morrer, a águia fixou os olhos na seta.
__ Ah, sorte ingrata ! __exclamou __ Morrer desse jeito.. Mas o mais triste é ver que a seta que me mata tem pernas de águia !
Moral: As desgraças para as quais nós mesmos contribuímos são duplamente amargas.
FÁBULA 54
O BURRO QUE VESTIU A PELE DE UM LEÃO

Um burro encontrou uma pele de leão que um caçador tinha deixado largada na floresta. Na mesma hora o burro vestiu a pele e inventou a brincadeira de se esconder numa moita e pular fora sempre que passasse algum animal. Todos fugiam correndo assim que o burro aparecia. O burro estava gostando tanto de ver a bicharada fugir dele correndo que começou a se sentir o rei leão em pessoa e não conseguiu segurar um belo zurro de satisfação. Ouvindo aquilo, uma raposa que ia fugindo com os outros parou, virou-se e se aproximou do burro rindo:
__ Se você tivesse ficado quieto, talvez eu também tivesse levado um susto. Mas aquele zurro bobo estragou sua brincadeira !
Moral: Um tolo pode enganar os outros com o traje e a aparência, mas suas palavras logo irão mostrar quem ele é de fato.